Crianças Descartáveis da África

Crianças descartáveis do Senegal

                  

        Imagine ser abordado no sinal de trânsito, ou na rua por diversos garotos com roupas rasgadas e todos sem sandálias e com uma lata vermelha de estrato de tomate na mão, lhe pedindo dinheiro. Não é um cenário muito diferente de nossas grandes cidades brasileiras, porém se não fosse pelo fato de que todo o dinheiro arrecadado não iram para seus pais,  pois os mesmos lhes deram como sacrifício humano, tudo o que podem obter durante o dia, eles dão em troca de aprenderem o alcorão e se tornarem feiticeiros.   

                 Nascido em um local misticista(1) e islâmico, e uma vez que seus pais são pobres, eles são vítimas desta mistura trágica que levam seus pais a fazerem um sacrifício dando-os em oferta ao Marabu na esperança de tornarem-se um dia também um marabu. Entregam também quando eles querem que seus filhos aprendam o Alcorão, mas não tem dinheiro para pagar, então são oferecidos como forma de pagamento e assim surgem os Talibés. “Talib” que significa discípulo na língua árabe, ou seja, Talibés, discípulo na língua Wolof(2).

             Do Árabe também “murābű”; guia espiritual muçulmano. Locais como a cidade de Touba, se tornam sagrados, associados à presença de um marabu como o templo onde este realiza o serviço religioso, ou a sepultura em que está enterrado. Os mais famosos são muito respeitados e temidos até mesmo por grandes autoridades administrativas. Na verdade, ele é um feiticeiro que faz todo tipo de “trabalho” que a pessoa desejar e pode pagar. Esses trabalhos podem ser: encantar parceiros para casamentos; eliminar a impotência sexual; matar alguém com feitiço na comida; ser próspero financeiramente, entre outras coisas.

Marabu com talibês

        Devido a pactos satânicos e grandes sacrifícios, alguns desses marabus conseguem tanta força demoníaca que podem se transformar em animais e outras coisas. Outra coisa que eles também fazem são os amuletos chamados aqui de Gris-gris.  Nos carros públicos e privados, em todos os comércios pintados nas paredes ou com foto em colar, os africanos mostram seus marabus preferidos e o mesmo eles procuram para fazerem um amuleto de proteção que é oferecido aos espíritos e podem ser rabo de animais, ou chifres enterrados no quintal de suas casas, colares ou pulseiras de couro com textos do alcorão dentro, e estes amuletos são usados por toda a população e quanto maior a periculosidade do serviço prestado, mais Gris-gris usará tal pessoa.

Imagem de marabu pintada em um muro

                    No Senegal, sessenta e cinco por cento da população vive abaixo do limiar da pobreza, então a riqueza e o poder dado ao marabu é algo que inspira os pais, uma vez que existe uma crença que o marabu, devido ao seu poder místico, não tem pecado e mesmo o de sua mãe é extinto também.

          A criança a partir dos três anos já pode ser entregue aos marabus pelos pais. Muitas crianças são de países vizinhos para que eles não tenham como voltar para casa, eles vem para estudar o Alcorão na esperança de ser um grande líder, mas na verdade muitos nunca alcançam este objetivo, pois seus senhores os fazem de escravos e o que lhes aguarda é apenas sofrimento.         

 

            Tais crianças vivem em condições precárias, em abrigos improvisados; tais como garagens, mercados. Com uma superpopulação, os alojamentos não atendem condições sanitárias simples não tem nem água nem eletricidade, pode-se encontrar neles muitos agentes germes tais como ratos, baratas, etc. Esta precariedade faz com que os Talibês permaneçam, às vezes, semanas ou meses sem tomarem banho.  Por conta disso, correm o risco de epidemias mortais como malária, tuberculose, cólera, etc. Questionando um dia sobre estas condições, alguém me disse que isto é para que “eles se tornem homens fortes provados em todo tipo de sofrimento”. Entretanto, até mesmo na hora do aprendizado do alcorão eles são torturados, os castigos variam de limpar todo o ambiente onde vivem até surras com pedaços de paus ou chicotes, com pedaços de ossos, pequenos chifres de bode e objetos cortantes nas pontas, ou são oprimidos pelo “Faxmen”(3).

Aprendendo o Alcorão

       Os marabus são muito ricos, riqueza essa que conseguem através de milhares de amuletos e “trabalhos”, e principalmente a custo de seus fiéis e das crianças Talibés. Existe marabus com até 600 crianças sob seu domínio, sendo assim, ele teria uma despesa enorme para sustentar essas crianças todos os dias, então ele divide os Talibês em duas turmas, assim enquanto um grupo pede dinheiro, alimentos, produtos de limpeza, entre outros, durante um dia inteiro, a outra metade fica em casa estudando e dessa forma vão se revezando todos os dias.  A cota mínima do dia por criança é de 500 FcFa(4) aproximadamente R$ 2.50 ou sabão, vela, arroz, etc.

Crianças talibês

                   Há também meninas Talibés, mas dificilmente estão nas ruas, os trabalhos delas são domésticos, ou até atendem às necessidades sexuais dos marabus.

Talibês pedindo dinheiro

            Um Talibê acorda às cinco horas da manhã e sai para a rua com sua latinha pedindo dinheiro. Por volta das nove horas, eles retornam para a casa do marabu e estudam o Alcorão por um período de duas à três horas diárias. Após seu estudo eles retornam para as ruas e ficam até tarde da noite, muitas vezes nem voltam para o alojamento por não terem conseguido a cota diária exigida por dia para cada talibê.

        Quando eles nos vêem (Missionários de cor branca) eles correm ao nosso encontro pedindo dinheiro, pois pensam sermos turistas europeus caridosos, porém para nós que temos a revelação de Deus, ficamos em uma situação difícil, pois sabemos que tudo que lhes daremos será entregue ao Marabout. Então quando se quer dar alguma coisa de comer não pode dar fechado, pois se assim fizermos eles tentam vender para conseguir o valor estimado ou dar para o marabu. É preciso abrir e pedir para comerem ali mesmo de uma maneira escondida, pois possivelmente sempre tem alguém vigiando, como os pequenos aprendizes de marabus (Talibés mais velhos) que tomam o apurado e batem neles nas ruas.  Alguns que não conseguem a cota do dia ficam na rua com fome até o outro dia com medo de apanhar quando chegarem ao alojamento.

 

Talibê estudando o Árabe

 

              Os marabus não permitem que missionários se aproximem dos talibês, quando algum descobre que o talibê está mantendo contato com algum cristão, o mesmo é punido rigorosamente. Na região de Casamance, sul do país, em especial, existe uma abertura maior sobre o trabalho com Talibés, existem pelo menos duas missões trabalhando com eles, entretanto de forma parcial. Em todo o Senegal só existe um trabalho cristão específico para os que fugiram, uma vez que eles não podem voltar para casa, pois será uma vergonha para os pais, que irá puni-los e enviá-los de volta ao marabu.

 

         Os documentos das crianças ficam em posse do seu líder religioso até que ela complete dezoito anos e então decidir seguir com os estudos corânicos, ir a Meca e com muito esforço tentar ser o que seus pais sonharam; um marabu. Nesta etapa eles já não têm nenhum vínculo com seus pais ou com o lugar de onde vieram.  Quando uma criança dessas encontra o amor de Jesus, é preciso uma instituição que o coloque em uma casa de recuperação, que o reintegre à sociedade, dando-lhe saúde, educação e uma profissão, e isso demanda muito amor, paciência e investimento.  Outro problema é que existe na lei senegalesa a proibição falar de Cristo (persuadir a outra religião) à menores de 18 anos, então quando uma criança se converte ela tem que manter total sigilo para que o missionário não seja preso e para sua segurança própria, para evitar perseguição.

        A questão dos Talibês no Senegal é um grande problema social, o fenômeno que não tem preocupado às autoridades senegalesas, já em 1973, uma lei (artigo 245 do Código Penal) foi editada a fim de se livrar desta situação no Senegal. Este projeto de lei para equipar escolas corânicas com um estatuto jurídico que favoreça uma melhor administração das ditas “escolas corânicas”. Mas por falta de meios, a legislação não tem sido cumprida. No entanto, o empobrecimento das populações faz aumentar o problema, outra questão é que eles vêm, na maioria das vezes, de países vizinhos como Guiné-Bissau, Mali e outros. A Unicef (Nações Unidas para a Educação para a Infância) relatou em 2005, que 400 mil crianças estão em situação de vulnerabilidade no Senegal, e entre 250.000 a 300.000 deles, diariamente vivem mendigando  só em Dacar, capital do Senegal.

             As terríveis condições de vida dos Talibês abandonados por famílias pobres e negligenciados pelo governo local, que são incapazes de impor uma política, os maus tratos vivenciados diariamente, a falta de esperança e o sofrimento em busca de um futuro “prospero e espiritualmente satisfatório” fazem com que este espetáculo de horror aconteça com estes pequenos africanos.

                                            Por   Marvyo Darley , Missionário na África

 

 

  

Miss. Marvyo Darley

 

Imagens: Google e Arquivos próprio

   (1) Misticismo (do grego μυστικός, transl. mystikos, um iniciado em uma religião de mistérios) é a busca da comunhão com a identidade, com, consciente ou consciência de uma derradeira realidade, divindade, verdade espiritual, ou Deus através da experiência direta ou intuitiva 

 (2) Wolof: língua falada pela maioria das pessoas do Senegal.

 (3) Faxmen: “Wolof” prazo (3) para designar pessoas que, como resultado dos danos das relações familiares, decidem deliberadamente fazer uma ruptura com seus pais em deixá-los fugir em lugares desconhecidos para eles. 
(4) Moeda no Oeste Africano

 (5)  Relatório Worlwide 2003 sobre Desenvolvimento Humano.

Igreja do Senhor, IDE

                  

 

La fora ainda tem ovelhas que não estão nesse aprisco

Jo 10:16        

                A frase “minha paróquia é o mundo” de Wesley, é difícil de ser entendida por muitos. Pois, há um entendimento de que o ganhar almas é feito somente dentre dos auditórios das igrejas, havendo, muitas vezes, choques de tantos pregadores no domingos e dias especiais. Estamos nos esquecendo dos “púlpitos” das praças, dos ônibus, dos terminais rodoviários, das penitenciarias, dos asilos e até de dentro da nossa casa.

                 Nosso Senhor levou a palavra da verdade até aos pecadores. Ele entrava nos mais diversos tipos de ambientes, levando as boas novas no contexto do receptor, na cultura da platéia, ele jogava as redes onde estavam os peixes, e não atraía os peixes até seu barco para então tentar pescá-los. Devemos lotar nossas igrejas com todo tipo de pessoas sim, isto é muitíssimo importantes para que haja conversões, milagres e maravilhas no meio do povo.

O que não podemos ser, é apenas pregadores de quatro paredes, pois isto é aprisionar a visão, e nos coloca em competições com os demais. Assim, deixe que a cruz seja levada novamente pelas ruas e veredas e assim esta cruz após a morte e ressurreição chegará até o coração do pecador que é onde deve estar e não enfeitando os púlpitos ou em cima das catedrais.

                  O filho de Deus foi crucificado num lugar onde os cínicos falavam obscenidades, local onde ladrões xingavam e blasfemavam ao Deus que fez todas as coisas, soldados jogavam sorte e peregrinos transitavam sem dar importância aos episódios, mais foi ali também que ele mostrou-nos sua maior prova de amor e de abnegação, e foi ali que nossa vitoria foi ganha.

 

Quando a igreja sai á procurar os pecadores , eles entram nas igrejas procurando Deus .

Quando a igreja sai das quatro paredes e procurando alimentar aqueles que tem qualquer tipo de fome, alimentando-os com os frutos do Espírito Santo, logo apareceram pessoas nas nossas portas procurando saber sobre a árvore que produzem tais frutos, nossa Jerusalém precisa escutar novamente o som das alpargatas dos verdadeiros discípulos pelas ruas, e das mãos batendo em porta e porta, nas vilas , nas favelas,palácios e nas casas mais singelas e anunciando “JESUS TE AMA E ESTÀ VOLTANDO”

A igreja deve ser um organismo vivo, se viver inerte criará raízes com na terra, porem deve ela caminhar sempre  rumo a nova Jerusalém celeste e nesta caminha galgar o maior número de peregrinos  que encontrar no caminho sem ter o verdadeiro Caminho que é Cristo Jesus.

 Caminharemos, e anunciaremos as nações que Ele está voltando, Maranata ora vem Senhor Jesus!

 

Por: Marvyo Darley

Eu vos farei pescadores de homens

 

Eu vos farei pescadores de homens

 

“Sem questionar, sem olhar para trás, sem temer o futuro” 

 

“E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” Mt.4:19

 

               Ao iniciar publicamente seu ministério, uma das primeiras iniciativas de Jesus foi a de começar a constituir seu grupo de discípulos. Jesus encontra-se na Galiléia, mais precisamente em Cafarnaum, “caminhando junto ao mar” (Mt 4:18), longe de Jerusalém e das instituições religiosas e sociais. Nesse contexto, ele se dirige a pescadores em plena atividade. Mateus mostra como se dá o chamado de Jesus a esses homens por meio de uma seqüência de verbos: Jesus caminha, vê, chama, e é seguido.

              Uma primeira lição que aprendemos nesse episódio é que o nosso chamado, assim como o dos primeiros discípulos, não depende de nós, de nossa busca, de nossa procura, de nossa inteligência, de nossos méritos, de nossas capacidades ou mesmo de nossa piedade. Depende, antes de tudo, de Jesus, da sua iniciativa. Depende Daquele que nos têm visto antes mesmo que pensemos Nele. Daquele que faz ecoar o seu chamado em meio ao nosso cotidiano. Mas esse chamado tem um propósito: Fazer-nos pescadores de homens!

                  A imagem da pesca, de peixes tirados da água, remete-nos ao coração da missão de Jesus: tirar os homens da morte para a vida. Porém, alguém poderá argumentar: Não sucede exatamente o contrário, ou seja, se tirarmos os peixes da água não estaremos condenando-os à morte?

                      Lembremo-nos, entretanto que, para a cultura daquela época, o mar estava associado ao caos e à morte. Daí o chamado para sermos pescadores de homens. Ao lermos o texto de Mateus, ficamos admirados pela brevidade da cena. Um simples chamado de Jesus é suficiente para que Pedro, André, Tiago e João deixem suas redes, seus barcos, seus pais e sigam o Mestre. Eles não questionam, nem se preocupam quanto ao futuro. Apenas O seguem.

                Isso nos ensina acerca da radicalidade do nosso chamado. Não se trata de abandonar mulher e filhos e se retirar do mundo, mas de responder imediatamente a esse apelo, sem questionar, sem olhar para trás, sem temer o futuro e sem nos interrogar sobre nossas capacidades.

              Significa dizer simplesmente “Sim”: “Sim” para que Jesus transforme nossas vidas; “Sim” para que Jesus nos conduza em direção aos outros; “Sim” para que, depois de termos sido “pescados”, tornemo-nos pescadores de homens. Enfim, convém lembrar que nós não estamos sozinhos nessa tarefa de “pescar homens”. Jesus chama seus discípulos de dois em dois. Para cumprir essa missão, Deus usa os talentos de todos, por mais modestos que sejam.

                Nós não podemos nada sozinhos, porém, cada um de nós pode acolher com confiança esse chamado e caminhar ao lado de outros no seguimento de Jesus. Então, deixemos nossas redes e partamos para a pesca com Jesus!

Deus nos abençoe.

Fonte: IPVM